14 de fev de 2017

Sociedade refletida na música


"O jazz sempre foi um interesse de minoria, como a música clássica. Ao contrário da música clássica, porém, o interesse que despertava não era estável. O interesse por jazz cresceu intensamente de uma hora para outra; por outro lado, houve épocas em que esse interesse caiu a níveis baixíssimos.
No final dos anos 30 e nos anos 50, houve um período de expansão marcante, os anos da Depressão de 1929 (nos EUA, ao menos), quando mesmo o Harlem preferia música leve e adocicada a Ellington e Armstrong. Os períodos em que o interesse pelo jazz cresceu ou foi reavívado, também foram, por razões óbvias para os produtores, épocas em que novas gerações de fãs quiseram conhecê-lo melhor".

Trecho do prefácio do livro "História Social do Jazz" do historiador Eric Hobsbawm, foi escrito há mais de 50 anos e ainda apresenta alguma atualidade, uma vez que os ciclos de altos e baixos ainda estão formando o padrão que definirá nossa época atual. 


O fenômeno do Jazz aconteceu no século XX sem precedentes na história da música. O  autor cruza informações econômicas e históricas analisando pontos de vista sociais que influenciaram o estilo desde sua origem e a relação com outros estilos como o rock que assumiram alguns de seus papéis sociais
Claro que ele expõe conceitos e pré-conceitos polêmicos que cabem a você analisar, principalmente se você gosta de história moderna e de vários estilos musicais.

"Não é preciso dizer muito a respeito do lugar que o jazz ocupa na cultura da minoria, nas "artes oficiais". Como veremos, até há pouco tempo o jazz tinha um lugar meramente marginal entre elas, em parte porque as artes oficiais o ignoravam, em parte porque se ressentiam dele como se fosse uma espécie de revolta popular contra seu status e pretensões à superioridade, e como uma agressão do filistinismo contra a cultura. Ele é ambas as coisas, e muito mais. No que toca à absorção do jazz pela cultura oficial, é uma forma de exotismo, como a escultura africana ou a dança espanhola, um dos tipos de exotismo "nobres selvagens" pelos quais os intelectuais de classe média e das classes altas ten- tam compensar as deficiências morais de sua vida, especialmente hoje, século XX, depois de terem perdido a certeza da superioridade de seu estilo de vida. Não vai aqui qualquer crítica ao jazz. A cantora de blues da Carolina do Norte, o trompetista de Nova Orleans, o músico-showman profissional, o veterano que há décadas realiza excursões tocando o "arroz com feijão" e música para dançar não têm culpa de os intelectuais ingleses e norte-americanos (incluindo, suponho, o escritor dessas observações) lerem a resposta às suas frustrações na música que executam."

Entretanto, o livro convida o leitor a entender melhor, apreciar o Jazz tradicional e algumas de suas clássicas transformações.


3 de fev de 2017

As Grooves do Vinil


Seja você a favor ou contra à tecnologia analógica e o ressurgimento do vinil - que pra muitos nunca sumiu - é fascinante ver através de um super microscópio como o som fica aprisionado dentro dele!


O visual lembra locais como Grand Canyon (EUA), o Cânion de Itaimbezinho (BR) e outras topografias onde a rocha foi esculpida pelo tempo.

 Ranhuras microscópicas do vinil e o Cânion de Itaimbezinho, considerado o maior de todos
 Assim como as informações sobre o universo e a terra foram aprisionadas nas ranhuras da pedra, o homem esculpiu suas histórias de forma similar no vinil.  

O antecessor do disco foi o cilíndrico fonógrafo de Thomas Edison, inspirado pelo fonoautógrafo de Léon Scott de 1957. Já Emile Berliner nos deu o formato "bolacha" que conhecemos em 1888. 
A agulha correndo sob a superficie do vinil
Mesmo com variações no formato e tecnologias aprimorando o produto ao longo dos séculos, o princípio é o mesmo: a agulha vibra através das ranhuras (grooves) no disco que move os magentos próximos a uma bobina (capsula). Este gera eletricidade que é amplificada emitindo o sinal de áudio. 

O entusiasta Ben Krasnow deu um passo à diante na explicação de como isso acontece através de um microscópio especial e criou um GIF da agulha "dançando" nas "ondas" do disco.

Microscópio mostra a agulha lendo as ranhuras do vinil.


bibliografia: kottle.org, flscience.com, thevinylfactory.com,  University of Rochester: URnano
texto: Daniel Latorre