O Hammond New B-3

A Hammond colocou em produção desde 2004 a "réplica" moderna do antigo Hammond B3!  Avanços da tecnologia responsáveis por extinguir o B-3 antigo agora são responsáveis pelo seu renascimento. Este é o começo de uma nova era onde podemos finalmente ter a alma e o "feeling" do instrumento vintage sem precisar ignorar a tecnologia moderna.



Renascença
A  tradição da Hammond tem seu período de renascença na forma do HAMMOND NEW B-3, que é a réplica fiel do "mais famoso de todos os órgãos".

Mais de vinte anos de pesquisa foram necessários para recriar o som, o design e o feeling do B3 original através de uma tecnologia surpreendente. Com noventa e seis tonewheels digitais ao invés de um gerador de noventa e um tonewheels eletromecânicos, captura a correlação e interação entre os harmônicos com perfeição. Cada uma destas rodas "tonewheels" corresponde a uma respectiva nota de cada harmônico.
O móvel e tratamento estético são réplicas do original com acabamento avermelhado em nogueira. O painel e botões também foram minuciosamente copiados.
Apesar do B-3 não ser fabricado há mais de 40 anos, muitos nunca perderam a paixão por este instrumento. A demanda por Hammond antigos aumentou nos últimos anos. Sua manutenção ficou cada vez mais comprometida, pois as peças ficaram escassas. A cada ano os órgãos antigos chegam mais perto da extinção. Este foi um dos fatores decisivos na substituição dos antigos B3 por "réplicas modernas" que tivessem os mesmo atributos estéticos e sonoros em todos os aspectos.

A Fábrica da Hammond e o B3 Antigo
O modelo B3 foi fabricado de 1955 a 1974. Mesmo antes de decidir parar sua fabricação, a própria Hammond tentou substituí-lo por outros modelos.
O declínio da Hammond começou em meados da década de 70, onde os sintetizadores e novas tecnologias prometiam a extinção das válvulas e sistemas mecânicos de geração sonora. Em 1970 na NAMM, comemorando a entrada da Era Espacial, o astronauta Neil Armstrong foi chamado para fazer o pré-lançamento dos órgãos eletrônicos da Hammond.
Desde então, a fábrica sofreu grandes pressões. O sistema eletromecânico do B3 ficou mais caro de ser fabricado dificultando a competição com o mercado dos eletrônicos.

Tentativas de Substituir o B-3
A primeira tentativa de substituir o modelo B3 foi o modelo H-100 de 1965, que adicionava mais harmônicos no gerador mecânico e recursos como Chimes e harpiggios. Esta série contava também, entre outros avanços, com um sistema híbrido de amplificação (partes do pré-amplificador transistorizado e power valvulado). Em 1967, com design futurista, entrava o X-66. Tinha um gerador "Tonewheel" pequeno que produzia apenas uma oitava, as oitavas restantes eram feitas através de divisores eletrônicos. Em seguida, em 1968, a Hammond lançou outro modelo que também pretendia substituir o B3: o luxuoso Hammond X-77.
Hammond X77 - Tentou substituir o B-3
Este era basicamente uma mistura do sistema Tonewheel e transistor em um design também futurista. Em meados de 70 estes modelos acabaram sendo descontinuados, pois a Hammond decidiu extinguir o gerador mecânico. Nesta mesma época foram lançados os modelos série Concord, que nada tinham a ver com o B3. Eram totalmente transistorizados (sem Tonewheel) e com algumas funções parecidas com as dos teclados de hoje. Conseqüentemente após o Concord, foram lançados diversos modelos com pouco valor musical, caso da série J, N, 125 e variações.

O Fato é que nenhuma das tentativas de substituição do B3 tiveram êxito. Vários motivos técnicos contribuíram para isso. Ao criar novos modelos, a Hammond tentava consertar defeitos, que na verdade não eram defeitos e sim características que fizeram do B3 um instrumento fascinante e expressivo. Entre estes "defeitos" estavam os Clicks dos contatos das teclas, a interação dos harmônicos e a tentativa de melhorar o sistema de pré-amplificação valvulada por transistorizada. E ainda, os materiais de construção eram alterados para atualizar os órgãos com a tecnologia e tendências da indústria musical da época.
Laurens Hammond e o Modelo A
Os resultados destas tentativas eram diferentes e inferiores aos B3s. A cada modelo novo, mais longe ficava a tradição criada desde do lançamento do primeiro Hammond, o modelo A.

Tradição
Dos anos 50 até hoje, o mais que característico timbre de Hammond com seu típico ataque e ricos vibratos, foi usado por compositores e interpretes em vários gêneros musicais. Imaginar o Jazz, Blues, gospel, Rock ou Pop sem o incomparável som do Hammond B3 seria como enxergar em preto e branco. A força do gerador mecânico "Tonewheel" foi tão importante que na maioria dos teclados até hoje, têm entre seus presets, timbres que tentam imitar o B3.

Nova Fábrica Hammond
Montagem do New B-3 na Hammond USA
 Hammond e Leslie teve seu resurgimento em 1989, através da Hammond-Suzuki. Enquanto todos os fabricantes de órgãos desistiam de suas produções pelo grande desinteresse mundial por órgãos, a Suzuki resolveu investir e restaurar parte das instalações antigas da Hammond nos EUA.
Montando o New B-3 na Fábrica
Chegando Lá
Antes de acertar no New B-3 a Hammond esboçou várias tentativas e tecnologias. XB-3 e o posterior XB-3M , traziam a melhor simulação de Hammond com móvel muito similar ao original, parando a fabricação do então obsoleto primeiro órgão de dois manuais e pedaleira, XB-5. Mesmo assim, muitos fatores deixavam os resultados finais inferiores ao Hammond antigo. Organistas profissionais não se entusiasmaram muito, preferindo ainda o velho B3. Paralelamente, a Hammond foi desenvolvendo uma série de excelentes órgãos Hammond em versões portáteis: primeira série XB e depois a XK que evoluiu da tecnologia do New B-3 e assim como a série SK (Stage Keyboard). Respectivamente evoluiram os sistemas de Geradores Digitais dos Tonewheel VASEII e VASEIII. O New B-3 trabalha o som de sua geração até sua saída de som da mesma maneira que o vintage, só que agora usa tecnologias diferente e híbridas entre o digital e mecânico.

Analisando o Novo HAMMOND B3

Por ser uma réplica, o Novo B3 traz pouco como inovação. Midi e outros poucos benefícios modernos foram incorporados ao órgão Hammond tradicional.
O mais importante é que o New tem alguns parâmetros editáveis para de que cada organista chegue no som do Hammond que mais lhe agrade já que existem diferenças de "safras" de B-3s fabricados de 1955 à 1975.

Centro de Informação do Hammond New B-3
Centro de Informação
Em uma discreta gaveta abaixo do segundo manual do lado direito, pode ser encontrado o "Centro de Informação" assim chamado (composto também de um visor LCS de 20x2 dígitos), é responsável pela edição de funções avançadas como modo de Drawbar, funções dos Pedais e etc. Esta gaveta quando empurrada fica escondida, porém de fácil acesso.


Painel de Controle e painel de Entrada/Saída
Em baixo do segundo Manual, ao lado esquerdo, encontra-se o painel de controle.  Estes controles ajustam o som do instrumento como Volume Master, Graves, Agudos, Reverb, overdrive e etc.
Em baixo do órgão esta o painel Midi. O Novo B3 tem Midi (Midi Out) para controle de outro instrumento (sintetizador, módulos, etc...). Devido ao complexo e único sistema de contatos e geração sonora do Novo Hammond B3, não há entradas de midi (Midi In e Midi Thru). No mesmo painel estão as entradas e saídas de áudio estéreo.
Painel de conexões em baixo do instrumento New B-3
Painel de controle do New B-3 em baixo do teclado inferior
Drawbars
Os Drawbars são marcas registradas do órgão Hammond  com dois conjuntos de nove drawbars para cada manual e dois drawbars para pedaleira. Estes são réplicas dos Drawbars das décadas de 70, que tem a ponta quadrada e os números dos Harmônicos escritos em cada um. Têm como função o controle separado dos elementos básicos dos tons musicais (os harmônicos fundamentais e sobretons) sendo possível criar uma gama extensa de timbres.

Drawbars e notas de Presets do New B-3
Presets
Em cada Manual do órgão há nove presets. Os Presets são teclas com as cores das notas naturais invertidas com a dos meio-tons, ficam presas quando selecionadas carregando uma registração fixa e diferente das definidas nos drawbars. Em adição, há dois conjuntos de controles para cada manual fazendo com que, através de um Compact Flash Card, vinte e duas registrações diferentes fiquem disponíveis, além das que estão nos presets. No B3 antigo, para alterar as registrações dos presets, um técnico especializado deveria mudar uma série de fios na parte interna do órgão.

Presets e Botões de Vibrato/Chorus cuidadosamente reproduzidos
Vibrato-Chorus
Os controles de vibratos são replicas dos controles que caracterizam a seleção de inserção e quantidade de vibrato ou chorus para cada manual separadamente (V1,V2,V3, C1, C2, C3). Antes do B3, o Vibrato e Chorus eram limitados a uma graduação simples e selecionáveis para ambos os manuais sem separação.Com Gerador de 96 tonewheels digitais, a polifonia é total. Proporciona uma qualidade, clareza e expressividade que só era possível nos B3 antigos. Mudanças no timbre aconteciam de acordo com a quantidade de recursos utilizados. Por exemplo: Uma mesma registração com o pedal de expressão no mínimo sovava diferente (mais abafada e comprimida), e ia mudando à medida com que o pedal de expressão fosse acionado (o timbre ia ficando mais aberto, claro e forte). Outro exemplo é o do Chorus. Quando este era adicionado, o timbre mudava além do efeito de chorus. Como resultado, os agudos e médios eram equilibradamente acentuados.
Este e outros detalhes não eram levados em consideração em simulações e outras tentativas de reproduzir o som do Hammond. Estas e outras características minuciosas são encontradas no New B3.

Percussão Harmônica
A Percussão é outra função que foi apresentada com o Lançamento do B3. Modelos anteriores não possuíam este efeito que adiciona um ataque harmônico na registração do manual Superior. A geração da percussão funcionava pegando emprestado um harmônico de um dos Drawbars e tratando-o através de um circuito valvulado. Portanto o timbre da percussão é um dos pontos mais críticos. No New B3 a percussão soa exatamente como a percussão valvulada.

Detalhe dos botões da percussão harmônica, reproduzida fielmente
O botões de Start e Run foram reproduzidos fielmente. O Run liga o New B-3. Porém não há partida para dar como nos antigos tonewheels e o botão Start continua sendo uma chave "vate-volta", mas funciona aqui como um "pitch bend",  aceleranto (para frente) e desacelerando (para trás). Respectivamente são os efeitos obtidos se acionasse o Start com o órgão já ligado e funcionando, e quando desligava apenas o gerador tonewheel sem desligar o pré e amplificação.

Contatos Mecânicos de Verdade!
  Os Contatos das Teclas são feitos mecanicamente com uma série de dez agulhas ( uma para cada Harmônico e sistema de percussão) que fecham um respectivo circuito em cada tecla. Estes contatos proporcionam o característico "clique" elétrico chamado de "Key Click". Nas tecnologias anteriores, o click era um sampler acionado eletronicamente, pois cada nota tinha um único contato de borracha. No New B3, o Key Click é gerado da mesma maneira que no B3 original. E ainda, adiconaram contatos de borracha sensitivos com velocidade para o envio de mensagens midi.

Conntatos mecânicos do New B-3
Botões de Start e Run
O nível de reprodução garante até os mesmos botões de Start & Run, responsáveis respectivamente por dar partida e ligar o Hammond vintage! Claro que agora o botão de partida, o Start, não tem mesma função. Ao invés disso associaram ao efeito de pitch wheel que acontecia quando acionava o start depois que o instrumento antigo estava ligado e tocando.
 
Perfeitos botões de Start e Run e lâmpada piloto
Válvulas
A pré amplificação é incrementada com as válvulas responsáveis por dar corpo e realçar os harmônicos do New B-3:
Válvulas e robusta construção do Hammond New B-3

Conexões  
Com perfeição foi reproduzida a caixa de ligação de força e de Leslie de 11 pinos. Kits e adaptadores disponíveis na Hammond para ligar qualquer caixa Leslie. 
Outlet Box do New B-3
Pedaleira e Pedal de Expressão
O Pedal de Expressão é desenvolvido com um sistema de LDR (sensor por luz) que imita com perfeição o efeito do capacitor variável e a suave ação mecânica do pedal que no antigo era ligado diretamente por uma haste de metal até o gerador
Pedal de Expressão do New B-3
A pedaleira é mecanicamente igual e esteticamente idêntica a original. O que muda é apenas o contato que não requer as antigas e cortantes palhetas de aço mola para cada nota encaixar e acionar os contatos mecânicos.
Uma adição interessante no New B-3 é o Pedal Sustain que faz com que os sons da pedaleira tenha sustain editáveis e com opções monofônica e polifônica.
Pedaleira do Hammond New B-3 fielmente reproduz a original

Daniel Latorre